sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Orgasmo

No entardecer da Inocência, ele buscava um prazer que seu pobre vocabulário ainda não conhecia o substantivo que o nomeava, e os poucos adjetivos que conhecia eram incapazes de definir aquela sensação tão inefável... Tudo o que sabia é que era uma sensação boa e que estava obsessionado por ela.
Como um recém-nascido que sacia sua fome com o leite materno sem se importar de quem são os seios, ele saciava sua curiosidade e degustava daquele prazer sem se importar de quem eram as mãos que o tocavam. O que ele jamais imaginava é que, em sua busca sem bússola por aquela sensação, as árvores do bosque encantado em que sonhava ser príncipe e salvar sua princesa de dragões tombariam e ficaria por anos preso na penumbra. As árvores converteram-se em adubo e a penumbra desvaneceu. Tudo havia sido iluminado pela Luz. Não que na penumbra ele houvesse decidido pela Luz, ele somente alcançou sozinho a Iluminação que tanto lhe narravam e diziam não ser para ele.
Não há príncipes, não há princesas, mãos são somente mãos e bocas somente bocas. A não ser quando tocadas e sentidas com sentimento, no entanto, não há sentimentos masculinos, nem sentimentos femininos. Só há sentimento e aquele substantivo: Orgasmo.