A Licantropia emana do seu olhar e molda-me a seu desejo ao atravessar sutilmente minha pele. Agora, sou um lobo, e estou no cio. Enquanto não surgir o primeiro raio do sol, eu não pararei de te devorar. Nossas línguas, famintas, brutalmente, e paradoxalmente, degustam-se como neandertais que vorazmente degustam inteiro seu alimento temerosos que amanhã não tenham o que comer; e degustam-se como se lentamente degustassem um alimento a fim de prolongar o prazer de comer. Como quem ambiciona ser o Deus de Deus, eu ambiciono te ter cada vez mais.
Sou canibal; necessito devorar-te. Morder, mastigar e engolir cada respiração sua, todo o seu odor, sua carne, seu sangue, todos seus átomos. Minha alma, aprisionada em meu esqueleto, desesperadamente, bate na minha carne, gritando para que alguém a liberte. Penetro-te, mas ainda não é o suficiente para saciar minha fome de você. Maldito corpo, maldita prisão! Meu coração bate na velocidade da luz. Nossas salivas escorrem por nossas bocas – por que elas não umedecem meu corpo e salvam minha alma? – e mesclam-se com o suor de nossos corpos em combustão – por que meu corpo não explode de uma vez e salva minha alma?
Eu preciso libertar-me. Preciso fundir minha alma a sua, e pelo menos por um instante, tornamo-nos uma substância homogênea. Perdermo-nos como rios que se perdem no mar.
Sermos somente uma alma.
Sermos somente o mar.
Sou canibal; necessito devorar-te. Morder, mastigar e engolir cada respiração sua, todo o seu odor, sua carne, seu sangue, todos seus átomos. Minha alma, aprisionada em meu esqueleto, desesperadamente, bate na minha carne, gritando para que alguém a liberte. Penetro-te, mas ainda não é o suficiente para saciar minha fome de você. Maldito corpo, maldita prisão! Meu coração bate na velocidade da luz. Nossas salivas escorrem por nossas bocas – por que elas não umedecem meu corpo e salvam minha alma? – e mesclam-se com o suor de nossos corpos em combustão – por que meu corpo não explode de uma vez e salva minha alma?
Eu preciso libertar-me. Preciso fundir minha alma a sua, e pelo menos por um instante, tornamo-nos uma substância homogênea. Perdermo-nos como rios que se perdem no mar.
Sermos somente uma alma.
Sermos somente o mar.