quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dizem que para conhecermos alguém de verdade, devemos conceder a ela poder. Com o tempo, no entanto, pude constatar que esse provérbio comumente é interpretado de forma errônea. O poder não transforma ninguém, apenas liberta nosso ser, depois de anos aprisionado nos porões da psique, e desnuda-o a luz. Talvez isso explique a voraz fome de lobo que os humanos têm por poder, seja ele financeiro, ideológico, territorial... A Arte é o meu grande poder. Minha libido, meu alimento, minha urina, minhas fezes, meu vômito, minha inspiração, minha expiração, meu Deus, meu Demônio, minha cruz, minha alma, meu corpo, meu ego, meu inconsciente, minha sombra, minha persona, meu self. Não há como desvencilhar-me dela, é o cordão prateado que me prende à Terra enquanto meu espírito viaja por mundos mais sutis. É a minha individuação. Meu poder alquímico, nada que eu viva ou sinta, permanece chumbo. Minha vida é uma eterna novela, na qual sou protagonista, co-roteirista e diretor, e todos vocês são meus personagens. Ainda que nem tudo chegue a se materializar, ainda que vocês jamais ouçam minhas músicas, leiam meus escritos, vejam meus filmes... A minha mente age em moto perpétuo, nunca pára de criar. Se a essência precede ou procede o poder, no fundo, não importa, Arte é tudo o que sou.