quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Se existe uma Alma; por que ela não assume o total controle do meu corpo? Meu Eu é restringido aos meus processos fisiológicos. Meu cérebro, meus hormônios e minhas glândulas ditam quem sou, ou pior, talvez sejam ainda mais estreitos meus limites e eu seja somente meus ditadores. Ser? Sou? Estou?! Meu Ser só alcançarei ao fim do caminho. Há destino? O fim do caminho pode ser em qualquer ponto da estrada. Como saberei que o alcancei?
Detrás da minha pele, meus hormônios guerreiam, e suas bombas explodem por trás da minha carne. Como se tentasse apagar do chão de Hiroshima as fotos do desespero nele impregnadas, tento com tinta verde ocultar os estragos da minha guerra. Mas é em vão. Tento então com água deteriorá-los como deterioram o solo as hereges gotas de chuva. Não são somente marcas que ficam. Como o veneno liberado pelo cogumelo impregnou-se no DNA de quem nasce em Hiroshima, a guerra impregnou-se no meu Eu. Talvez o Tempo destrua-as como ventos borram pegadas na areia, no entanto, por enquanto, sou este instante.
Sou um relógio? Meu Ser é todos os segundos ou é quando se pontua 12 horas?
Glândula pineal, por favor, mostre-me que se esconde uma Alma em você. Não anseio alcançar a mente do artista, não anseio a idéia, a tela branca, as tintas sobre a mesa, o rascunho, o lápis dançando na tela, o copo d’água. Anseio somente o quadro finalizado. A Alma, o Ser, às 12 horas de um solstício de verão."