terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Vida está subjugada a existência da Morte. Nascer é uma falha desta; uma distração, um erro técnico. Antes da Vida, só vive a Morte, embora mesmo com o nascimento daquela, a Morte siga reinando. Ela não é complacente com o seu erro, de forma alguma; a Morte tenta de todas as formas consertá-lo, e a Vida consiste em fugir deste conserto. Todavia, elas não são desagregadas, são o mesmo ser. Nascem da mesma placenta: O mistério. Ademais, o que poderia ser mais mortífero do que a Vida? E que antônimo de letal poderia ser mais coerente do que a Morte? Oh Vida... Sua nômade! Bipolar! Assassina! Interesseira! Puta de luxo!
O parto da Razão foi o medo da Morte. Se evoluímos de um animal a um ser pensante, devemos agradecê-la. Aprendemos a pensar fugindo de seu perfeccionismo. O que fazer para termos o que comer amanhã? Como nos comunicar para compartilharmos informações sobre a caça? Como nos protegermos dos animais quando o Sol retira-se do campo de batalha que é o Crepúsculo após perder para a Noite a guerra pelo o governo do Oriente por mais 12 horas? Foi afugentando-nos da Morte através da satisfação de nossos instintos que tornamo-nos humanos.
Paradoxalmente, a Razão é uma ingrata que pode nos matar. Suicidar-se? Que? Nosso instinto de preservação jamais permitiria. Somente ela pode domesticar-nos. Conflituosos e insatisfeitos, talvez haja Alma em sermos artificiais, apesar de que em alguns momentos, nos pareça mais cômodo e real sermos como selvagens. A verdade é que por mais esmagados e sufocados que nossos instintos estejam no âmago do nosso ser, eles, furiosos, um dia se levantam e recuperam o poder que lhes são proprietários por direito. Eles tem o direito de comandar concomitante a Razão a posse de nossa Alma e ordenar-nos o direito a sermos hedonistas, o direito de nos entregarmos sem medo aos prazeres, de amarmos automaticamente, de sermos livres, caóticos, e principalmente, o direito a querer viver e propagar a vida, mesmo que desconheçamos sua razão.