segunda-feira, 20 de junho de 2011

4º09'49", 23º58'22", -6º14'02", -2º15'39", -1º39'31", 5º43'50"

Em traje de gala, meu pé pressiona o meu acelerador. Em marcha-ré a ele, seu irmão gêmeo, desnudo, pressiona o meu freio – Rompê-lo sempre me foi amedrontador. O prazer como destino não me foi suficiente para encorajar-me a beber a dor por somente um efêmero suspiro e transubstanciá-la. De tanto pensarem, tanto recuarem, de tanto freados estarem, há estampada com calos em meu pé a constelação de Saturno. Minha massa cinzenta de tanto afogada em sua própria fonte estar, petrifica-se, já que é o máximo que ela pode lograr antes de que caia do topo de sua montanha. Meus faróis acendem-se e iluminam o meu destino alguns quilômetros a frente. Vejo-o e vejo-me nele, mas eles são incapazes de responder-me quando os sinais verdes a mim se abrirão. Quando minha natureza me permitirá caminhar? Tentar ultrapassar os sinais vermelhos faria de mim um touro que morre ao desafiar a muleta. Oh Volante Divino! Quando você parará de dirigir-me em movimento circular? Será que o dharma que um sapato promete trazer poderia, finalmente, transformar meu círculo em reta? Poderia fazer da Razão a minha Alma? Em mais um dos atalhos da minha mente condicionada a buscar a lateral, penso em incendiar a ponte que liga minha alma à sua, duende leitor, por aqui. Perdoe-me, mas em mais um artigo e seis palavras a romperei: Até o dia que minha procrastinação dormir!

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Não posso lutar contra mim para deixar de ser quem sou, como uma semente não pode transformar-se em outro fruto a não ser ao que essencialmente é e está destinado a desenvolver-se. Por que eu e você não podemos ser o melhor que somos e compartilharmos um ao outro o melhor que podemos fazer? E por que eu evito tanto fazer o que mais me apetece fazer? Por que seus instintos não se saciam com minha Arte? E por que eu não a vomito com freqüência se ela diariamente se fermenta dentro de mim? A LUZ! A LUZ! A hóstia que sou, intempestivamente, curva a 260 graus na luz da penumbra, e antes de eu reconstituir minha simetria – 180 graus na luz, 180 graus na sombra –, Quíron, na décima segunda e última casa do cortiço que me habita, conta-me um segredo: - “Você é um vulcão! A natureza que te é intrínseca e a que te transcende, te conduzirão à décima casa de forma tão inevitável quanto dois polos opostos que se atraem."
Nunca se sabe quando um vulcão vivo liberará seu magma, mas se sabe que ele liberará, pois este é seu dharma. Nunca sei quando libertarei minha Arte, mas sei que a libertarei, pois este é o meu dharma. Tal como o magma forma novos territórios quando se resfria, minha Arte – sinônimo de hóstia, sinônimo de mim –, materializará-se, e sobre ela, muitas almas colonizarão-se. No entanto, também assassinarei-as: Do mesmo modo que a minha Arte queima-me como o fogo do inferno, como o fogo do amor, como o fogo da ressurreição. Ela, ao sair do meu útero e respirar pela primeira vez na Terra, as matarão várias e várias vezes como inverno e as ressuscitarão várias e várias vezes como primavera, para que elas tornem-se cada vez mais resistentes ao antibiótico que é a Vida.