Aproveite enquanto chuvisca para voltar para a casa. Se você não estiver disposto a vir para se molhar, eu te imploro: não dê mais nenhum passo. Não se aproxime, por favor! Você já estar comigo aqui, nesta margem, já fez deste chuvisco para mim água benta. Purificou-me, curou-me. Confesso que queria aproveitar enquanto estou molhado para congelar-me neste momento com você. Minto, queria mesmo era me atirar neste oceano e mergulhar com você ao mais profundo que podemos ir. Mas se você não quer ir tão longe, então aproveite enquanto ainda há tempo de não atravessarmos esta ponte e se vá. Atravesse-a com outro, eu atravesso com outro. Porque olha, a partir do momento que a atravessarmos, eu vou queimá-la com o meu cigarro e com o meu álcool e você ficará preso naquela ilha ali comigo. É isso que você quer? Tem certeza? Ok! Então vamos! Segure minha mão! Veja, estou jogando na água minhas pás e todo meu equipamento. Não tenho mais o que e nem por que explorar, a não ser as camadas da sua alma. Seguiram de mãos dadas rumo a ilha, com os olhos fixos ao horizonte, enquanto a cada passo dado pelos dois, o fogo como sombra presa aos seus corpos e como dragão furioso se alastrava e destruía a ponte que os ligavam ao continente que os transcendiam e estava aquém de seus espíritos enamorados. Espere! Olhe nestas águas o reflexo do nosso sul e do nosso norte. Está vendo estas brasas? É o que estamos fadados a sermos!