sábado, 17 de julho de 2010

Não mais nadarei submerso em um copo com os mesmos movimentos circulares e verei o mundo até onde suas paredes de cristal o delimitam. A vida é tão frágil quanto um copo - que neste instante rompe-se. Não serei o ditador da água e a prenderei em um lago, emaranharei-me em sua corrente e correrei nas correntezas até meu afluente. Morrerei e renascerei. Serei só mais uma gota do oceano e serei oceano. Às vezes sou água com açúcar, outras água com sal, até mesmo água com limão, mas sou água.
Na queda, sinto a liberdade plena dos segundos que precedem e as horas que procedem a morte de um suicída ao jogar-se do quadragésimo andar. Ao atingir o solo, rasgo minha pele como uma serpente em Ecdise, em seus incontáveis cacos. Liberto meu sangue, enfim vermelho e em ebulição, após anos vivendo sem vida como um peixe preso e exposto em um aquário. No mar, mergulho além do sal, e sem ar afogo-me nas profundezas do que queima-me. Não sou mais um guppy, prazer, sou a baleia. Não sou preso, mas sou presa. Há diferença? Gritam-me ao ouvido que não, sussurram da superfície que sim.
Enfrento tubarões, e ao abrir os olhos, desperto na realidade do sonho de um admirável e desprezível mundo novo. O que é a realidade? O que é a irrealidade? Qual é o mundo real? Qual é o mundo irreal? Como discernir quando estamos dormindo ou acordados? Perguntas sem respostas e respostas sem perguntas.
Vejo no céu obscuro, milhões de luzes flutuarem como ciscos à luz do Sol, elas iluminam minha mente em blecaute. Minha alma irracionalmente, sem orações e poemas ricos, implora por redenção. Então deixo de vê-lo e o miro. Ele assume a grande responsabilidade de elaborar meu eu e meu destino. É meu Jesus! Carrega em sua coluna invertebrada, os ossos quebrados, e o peso da minha cruz.