sábado, 17 de julho de 2010

Seus pés eram grudados ao chão como um trem em sua linha rumo sempre ao mesmo destino. Eu era como uma marionete movida por mãos desconhecidas, as quais meu olhar ao tentar alcançá-las, perdia-se entre as nuvens e deixava-se cegar pela luz. Às vezes, eu tentava com a ponta dos pés caminhar pela mesma linha. Mas sempre com o cuidado de não cair como quem caminha em corda-bamba. No entanto, preso ao céu por cordéis, eles não podiam ver-me. Ainda que eu visse de cima, além dos horizontes verticais e horizontais, nada que eu soubesse importava. Seus olhos eram fixos a um mesmo ponto. Então, um dia, corroí com os dentes os cordéis que dominavam-me. Mas não foi uma redenção. Foi rendição! Covardia! Ganhei um par de botas uniforme para seguir a linha. Todavia, meus pés não foram moldados para pertencer ao chão. Eu jamais fertilizaria neste solo adubado por fezes e almas corroídas.